Carta aberta a um hater …

Caro “Dioguinho” , de facto você está em vantagem porque eu digiro-me a uma personagem sem rosto, enquanto você sabe quem eu sou. Sob anonimato é muito fácil ser-se valente e dizermos tudo o que nos passa pela cabeça acerca de outra pessoa, sem sequer a conhecermos. Ditam os estudos acerca dos haters, que nunca lhes devemos responder (eu também defendo isso), mas como não há regra sem exceção, penso que é chegada a altura de me dirigir diretamente a si. Esta será a primeira e única vez que o farei.

Sabe, relativamente ao programa SuperNanny, ao contrário do que você sempre quis dar a entender, o problema não teve a ver comigo enquanto apresentadora, mas sim com o formato que em Portugal não foi bem aceite e por isso foi retirado. Embora o programa se mantenha em exibição em 15 países (e não são do terceiro mundo, já que podemos contar com a França, Suécia, Dinamarca…de entre outros), no nosso país não vingou. Ponto final ! Porquê continuar a bater numa tecla que está mais do que gasta ? Curiosamente o “Dioguinho” apoia as suas amigas bloguers que se fartam de exibir os filhos a troco de patrocínios. Ah … mas estão bem vestidos, de laçarotes no cabelo e sorridentes … não os exibem a fazer birras. Bom, realmente é verdade, exibe-se aquilo que as pessoas querem ver, não propriamente a realidade. Mas esta é uma questão que já não me apetece desenvolver por estar, de facto, gasta e ultrapassada. Acrescento apenas que, caso tenha interesse em saber, todas as crianças que apareceram nos programas exibidos se encontram bem, nunca foram alvo de bullying, nem ficaram com qualquer sequela emocional. Sei isso porque mantenho até hoje contacto com os pais e com as crianças.

Relativamente à minha colaboração no BB 2020. O “Dioguinho” certamente saberá (porque sei que tem as suas fontes) que fui convidada, não andei a bater à porta de ninguém a pedir o que quer que seja. Aliás, nem é esse o meu perfil. Aceitei o convite porque era uma nova experiência e, a meu ver, correu tudo muito bem. Decerto não concordará comigo, porque espera de um comentador de reality show outro tipo de linguagem e de postura. Lamento, não sou assim. Para além disso, o papel de um psicólogo como comentador é sempre muito ingrato, já que é necessário passar informações cientificas numa linguagem mais popular. Acredite que não é fácil, mesmo para quem tem muitos anos de profissão e de experiência em televisão . Se tem curiosidade em saber o meu percurso, facilmente tem acesso a ele através do meu site www.teresapaulamarques.com e também do meu canal do Youtube. Verá que comecei em 1993, com o programa “O resto é conversa” (SIC) e desde então nunca mais parei. Já fiz muitas coisas em televisão, portanto não ando à procura dos meus 15 minutos de fama ! Se alguma vez disse alguma asneira ? Possivelmente já o fiz. Só quem não trabalha é que não erra. No entanto, não pode dizer que insultei ou desconsiderei algum concorrente ou alguma família. Não o conseguiria fazer. Eu sei que é uma pena para si que eu não o tenha feito, porque é disso que os haters vivem, mas não faz parte do meu ADN. Comentei o que achei que era “comentável”, dentro daquilo que é a minha profissão há 30 anos.

Recentemente a Tv7 Dias perguntou-me se me tinham convidado e no caso de não o terem feito como é que me sentia. Expliquei, com toda a sinceridade, que não me tinham convidado e adiantei que talvez eu não correspondesse ao perfil que se exige para um comentador de Reality Show. Se me sentia triste ? Não, triste não estava, mas um pouco magoada porque se nos dizem que desempenhámos bem o papel e depois não nos convidam para continuar o projeto, é normal que haja esse sentimento, ou não ? Aliás, você também era comentador e deixou de o ser, tal como o Hugo Sousa, a Arrebentinha, a Liliana, a Gisela, o Toy, a Magda … só para citar alguns. Magoado não quer dizer “ressabiado”, “invejoso”, “chateado”, nada disso ! Caso não saiba eu tenho o meu emprego fixo, as minhas consultas, as aulas para dar, os livros para escrever… tenho uma vida profissional onde a televisão é apenas um extra, portanto quando surgem oportunidades que me agradam, aproveito-as, quando não surgem continuo a minha vida como até então.

Não gosta de mim enquanto psicóloga ? Está no seu direito.

Não gosta de mim enquanto comentadora ? Também está no seu direito.

Porém, já não acho que lhe assista o direito de dizer mal de quem não conhece, criticar por criticar ou mesmo instigar ao ódio a troco de visualizações e likes. Isso é falta de empatia e é a empatia que nos faz Humanos !

Fique bem

Teresa Paula Marques

%d bloggers like this: