Atitudes racistas na infância

O tema do consultório parental desta semana (https://www.youtube.com/watch?v=SRmsPGetAls) foi o racismo na infância. Partimos de um vídeo que circula na net e que mostra crianças, em Bilbao, a serem cruéis com um menino num parque de diversões. Certo é que não é só em Espanha que isto acontece. Segundo dados de um estudo recente, o European Social Survey que inquiriu 40 mil pessoas com mais de 15 anos, em 20 países, indica que Portugal é um país com um “alto índice de racismo”. Os dados são preocupantes, uma vez que nos mostram que os  inquiridos em Portugal têm dos índices mais elevados de crença nos dois tipos de racismo: 52,9% no biológico e 54,1% no cultural. A média europeia é de 29,2% e 44% respetivamente.

Certo é que ninguém nasce racista ! O racismo surge como resultado de influência do meio envolvente, ou seja, dos comportamentos observados nos  pais, amigos, colegas de escola, professores…

As formas de racismo são muitas vezes de uma forma velada, não direta. Por exemplo, recentemente num anúncio a um sabonete, uma mulher negra tornava-se branca. Uma marca de roupa também retirou uma t-shirt por ter escrito “ o macaco mais fixe da selva” e ser apresentado por um menino negro.

Implicações do racismo para a vítima

Ser vítima de racismo tem um forte impacto ao nível da autoestima, já que esta fica prejudicada devido às autoperceções e autoconceito, aspectos que são construídos na relação com os outros. A este propósito, em 1947, um casal de psicólogos americanos Kenneth e Mamie Clark fizeram um teste (o famoso teste das bonecas)ajudaram a Suprema Corte dos Estados Unidos a proibir a segregação racial nas escolas públicas. No teste, crianças afro-americanas de 3 a 7 anos, escolhiam a “mais bonita” de duas bonecas, uma branca e outra negra. Em seguida, os psicólogos perguntavam quais as bonecas que elas preferiam e quais as atribuições positivas e negativas relacionariam com cada uma das bonecas. Os resultados foram surpreendentes! Ficou assim provado que a segregação racial destruía a auto-estima de crianças afro-americanas.

Em 2006, mais de 50 anos depois, a estudante americana Kiri Davis, voltou a fazer o teste e os resultados foram os mesmos. Kiri Davis entrevistou 21 crianças afro-americanas e 15 afirmaram preferir a boneca branca. O documentário, intitulado A Girl Like Me, foi muito comentado nos Estados Unidos e questionou o papel da imprensa, ou seja, como as campanhas publicitárias ainda associam o “bonito” e “perfeito” a características como pele branca, olhos claros, magreza.

Como combater o racismo na infância ?

– É necessário educar as crianças para respeitarem as diferenças, uma vez que o contacto com diferentes costumes, culturas, raças e etnias, constituem uma forma de enriquecer o desenvolvimento infantil.

– Incentivar e elogiar os comportamentos que demonstrem respeito em relação a crianças de diferentes raças.

– Estimular os mais novos a estabelecer laços de amizade com crianças com outras culturas e cores de pele.

– Se um pai/educador se aperceber que o seu filho descrimina um colega, é necessário agir de imediato, confrontando-o e dizendo-lhe claramente que não admitirá comportamentos desse tipo.

– Os pais/educadores têm de ser um exemplo !

%d bloggers like this: