Estamos a formar seres (verdadeiramente) humanos ?

O ano lectivo está perto do final. Alguns já terminaram mesmo as aulas e, ou estão em plena época de exames, ou já respiram de alívio e preparam-se para estar de férias. O balanço, esse, é feito de números, de comparações com os colegas : “quanto é que tiveste a matemática ?” , “baixaste. Para o ano tens de te esforçar mais”, “ E quanto teve o Manuel Vicente ? “, “Estás a ver ? O tipo é mesmo espectacular”. As crianças vivem, desde muito cedo, esmagadas pelo peso do quantitativo. Quando entram para o 1º ciclo acentua-se a rivalidade, a pressão, a obrigação de ter o mesmo ritmo (e se possível superior) de aprendizagem dos colegas. Algum desfasamento é logo alvo de escrutínio . Os professores preocupam-se, os pais afligem-se. Muitos não hesitam em procurar a ajuda de especialistas, de forma a perceber porque é que os outros meninos já lêem fluentemente e o seu ainda não.

Em contrapartida poucos são os que se preocupam em procurar ajuda quando o filho é pouco empático com os colegas, ou se transforma no “rufia” do grupo. Parece haver a ideia de que deste modo estará mais adaptado ao mundo actual, portanto não existe motivo para preocupações. Pois é … a leveza com que se encara este tipo de situação leva a que a criança comece por agredir os colegas e os professores, depois maltrate o/a namorado/a e mais tarde não hesite em agredir os pais. E de quem é a responsabilidade ? Uma sociedade que sobrevaloriza as estatísticas, os rankings não está a formar seres humanos na sua plenitude. A educação vai muito para além da instrução. Todos nós conhecemos pessoas que foram alunos brilhantes mas que como seres humanos não valem absolutamente nada. Outros porém, não passaram da mediania, mas com esforço e inteligência emocional, conseguiram fazer o seu percurso e alcançar igualmente o sucesso.

Porque é tão difícil para algumas pessoas colocarem-se no lugar dos outros ? Simplesmente porque nunca fizeram esse exercício ao longo da vida. E, acreditem, se fosse esse o critério para um jovem ser considerado bom/mau aluno, as notas seriam baixas e então aí todos se afligiriam!

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