A propósito de … novas experiências (o Big Brother 2020)

Até a este momento, pouco ou nada me pronunciei sobre a minha experiência enquanto comentadora do BB 2020. Decerto estarão curiosos por ter esse feedback. O que posso dizer-vos ?

Foi bom voltar ao pequeno ecrã noutro registo. Ao longo de três décadas já fiz muita coisa em televisão. Por diversas vezes assumi o papel de comentadora, mas sempre sob temas mais “pesados e sérios”, que passaram por assuntos polémicos até ao crime. Devo dizer que comentar crimes também é uma área em que me sinto à vontade, já que possuo muito conhecimento/formação em psicopatologia. Certo é que este ano aventurei-me no mundo do entretenimento e houve necessidade de me adaptar a este novo desafio. E como eu gosto de desafios !!!

Tenho tido sempre a sorte de a produção me dar “carta branca”, ou seja, nada me é imposto. Sou eu que “molda o boneco” da forma como me sinto bem, sem fugir muito àquilo que sou. Melhor explicando, nunca conseguiria ser uma Ana Garcia Martins nem um Pedro Crispim, ainda que tenha todo o respeito por esses colegas. Tenho de ser fiel ao meu ADN e não sou capaz de ser mais expansiva nas atitudes, ou mesmo mais agressiva nas palavras. Quem me conhece sabe que sou assim. E a produção sempre permitiu que eu não saísse muito da minha zona de conforto, daí que vos afirme que foi de facto uma experiencia engrandecedora.

Ser comentadora-psicóloga não é tarefa fácil. Há que encontrar um equilíbrio entre um papel e outro … algumas vezes é a comentadora que toma a dianteira, outras vezes é a psicóloga e ainda outras é … a Teresa Paula Marques. Esta última é suposto ficar no seu cantinho e não se pronunciar. Por isso, a cidadã Teresa podia ter concorrentes favoritos mas a comentadora e a psicóloga não os deveria ter, ou pelo menos não o demonstrar. Este é um exercício difícil de fazer e uma postura complicada de manter, semana após semana.

Sempre disse que comentava COMPORTAMENTOS, não pessoas. As pessoas, neste caso os concorrentes, não os conheço de lado algum, portanto não posso tecer considerações sobre eles. Os jornalistas adoram fazer a clássica pergunta que começa por “Pode traçar-me o perfil psicológico de …”. Perante esta questão, habitualmente explico que não é possível traçar perfis psicológicos à distância. Apesar de ser psicóloga, não consigo fazê-lo e tudo o que dissesse seria do âmbito da mera especulação. Contudo, posso comentar comportamentos, atitudes que os concorrentes vão assumindo e que, por defeito profissional, os psicólogos acabam por estar mais atentos. Após algumas semanas de observação dos concorrentes, vamos percebendo o modo como lidam com as frustrações, se são individualistas ou não, manipuladores ou mais ingénuos … mas temos também de ter em conta que sendo um programa de televisão que envolve um prémio final em dinheiro, muitos agem (jogam) para atingir esse objetivo.

Num grupo existem sempre os vilões, as vitimas, o apaziguador, o engraçadinho, o sedutor, o lider, o protector … e é muito interessante perceber quem é que vai vestir essa pele. O programa Big Brother é cativante para quem se interessa pelo comportamento humano e, sobretudo, pelas relações que se estabelecem entre os diversos membros do grupo.

A par de tudo isto existem as familias dos concorrentes e os fãs, que fazem com que um jogo paralelo se jogue cá fora. Os fãs entram em situações de completo fanatismo e agridem nas redes sociais  quem comenta algo sobre o seu idolo. Tornam-se haters que atacam os comentadores, sem perceberem que nada do que é dito tem como objectivo denegrir a imagem do concorrente. Quem concorre a um programa em que expõe a sua intimidade, já sabe que tem de desenvolver resilência que lhe permita aceitar criticas. Da minha parte, enquanto comentadora, já me tornei imune aos haters (como o referi numa entrevista à revista Tv 7 Dias), por isso não leio nada do que se escreve sobre mim nas redes sociais.

O certo é que terminei o projecto com a sensação de missão cumprida! Venham mais desafios! 😉

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